A fonoaudióloga Drª Maria Claudia Brito, escreveu uma série de 5 (cinco) ARTIGOS SOBRE AUTISMO, LINGUAGEM E FONOAUDIOLOGIA! Aí vai o primeiro!

 

AUTISMO E COMUNICAÇÃO: PORQUE O FONOAUDIÓLOGO É IMPORTANTE?

Comunicação é uma palavra de amplo sentido. Do latim, a palavra Comunicar, deriva de communicare, que significa "tornar comum", "partilhar", "entrar em relação com” Crianças com autismo/transtorno do espectro do autismo (TEA) apresentam alterações de comunicação que podem ocorrer em diferentes níveis da linguagem, com graus variáveis em relação às dificuldades e habilidades. Dentre essas alterações, estudos científicos mostram que o aspecto mais importante e sempre presente em crianças com autismo é a dificuldade no uso funcional da linguagem, ou na comunicação social. Isso quer dizer que as alterações vão desde ausência total de fala até discursos perfeitamente inteligíveis do ponto de vista fonético-fonológico (“fala correta, com palavras e frases sem trocas ou substituições dos sons das palavras), mas que se mostram prejudicadas no que diz respeito à adequação ao contexto social. Portanto, o chamado “espectro de características do autismo” também é observado no que se refere ao desenvolvimento da linguagem, podendo variar bastante. Alguns “sinais” ou “características” em relação à comunicação verbal (fala) e à comunicação não verbal (gestos, expressões faciais, etc) são mais comumente perceptíveis no cotidiano da criança. Familiares, profissionais (professores, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, pediatras, psiquiatras, neurologistas) e pessoas que convivem com a criança devem estar atentos a estes “sinais” para a identificação e intervenção o mais precocemente possível! Alguns desses “sinais” são: ausência da fala na idade esperada; atraso no aparecimento e desenvolvimento da fala em relação à idade esperada; alterações de prosódia (entonação e velocidade da fala, que se manifesta por exemplo como “fala monótona”); inversão pronominal (uso de “ele” ao invés de “eu”, por exemplo: A criança diz “Ele não quer! “Ele não quer!” para expressar que não deseja algo); Ecolalias (repetição da fala das outras pessoas); Rigidez de significados (por exemplo, dificuldade em compreender metáforas, piadas, sarcasmo e expressões com duplo sentido); Ausência de ou pouco contato visual durante situações de comunicação; Dificuldades para iniciar a comunicação com outra pessoa; Dificuldades para expressar suas vontades por meio de gestos representativos; Dificuldades na atenção compartilhada durante as interações e conversações; Dificuldades em jogos sociais (por exemplo, em brincadeiras de faz de conta e de imaginação), entre outros “sinais”. Quando são identificadas algumas dessas características e muitas outras que serão explicadas aqui no Portal Saber Autismo, é necessário que a criança seja encaminhada e avaliada por profissionais especializados em desenvolvimento de linguagem (comunicação verbal e não verbal). De acordo com o Conselho Regional de Fonoaudiologia, 2ª. Região São Paulo, o Fonoaudiólogo é o profissional responsável pela promoção da saúde, prevenção, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia (habilitação e reabilitação) e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central, da função vestibular, da linguagem oral e escrita, da voz, da fluência, da articulação da fala e dos sistemas miofuncional, orofacial, cervical e de deglutição (http://www.fonosp.org.br/crfa-2a-regiao/fonoaudiologia/o-que-e-a-fonoaudiologia/). Portanto o Fonoaudiólogo atua em prevenção, avaliação, orientações e desenvolvimento de intervenções clínicas (terapia), educacionais (em escolas e outras instituições educacionais) e junto aos familiares, responsáveis e/ou cuidadores. Este profissional realiza ainda ações em ensino (por exemplo em universidades para formação e especialização de fonoaudiólogos e outros profissionais) e no desenvolvimento de pesquisas científicas que visem, por exemplo, encontrar melhores resultados em intervenções. Assim, a Fonoaudiologia se mostra fundamental junto a equipes multiprofissionais em diversos contextos e o mais precocemente possível, com o objetivo de melhorar a comunicação e a qualidade de vida de crianças com autismo, seus familiares e de toda a comunidade.

 

Maria Claudia Brito - Fonoaudióloga. Atende em Consultório na cidade de Bauru/SP. Pós-Doutora e Doutora (PhD) em Educação, Mestre em Psicologia (todos com ênfase em Autismo), UNESP/SP. Professora Universitária, Pesquisadora do CNPq/SET-A em Autismo, Robótica e Linguagem e do Grupo de Pesquisa CNPq “Diferença, Desvio e Estigma”, UNESP/SP. Editora-Chefe no Portal Saber Autismo.

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