Aí vai o quinto artigo da Drª Maria Claudia Brito sobre Autismo, Linguagem e Fonoaudiologia. Algumas crianças com autismo/transtorno do espectro do autismo (TEA), por exemplo, têm grande facilidade com letras e números, às vezes precocemente (hiperlexia), mesmo que a compreensão do que lêem esteja prejudicada.

 

Autismo e Linguagem Escrita: A Hiperlexia

Um dos mais fascinantes fenômenos cognitivos de pessoas com autismo/transtorno do espectro do autismo (TEA) é a presença das denominadas “ilhas de habilidades especiais” ou splinter skills, i.e. habilidades preservadas ou altamente desenvolvidas em certas áreas que contrastam com outras dificuldades da criança (Klin, 2003). 

 

A criança pode apresentar avanços no desenvolvimento de determinadas áreas cerebrais específicas, mas com alterações em áreas de linguagem e aprendizagem. Os mecanismos subjacentes a este processo não estão totalmente compreendidos.

 

Cerca 10% dos indivíduos com autismo demonstram uma forma de habilidade “savant” – i.e. desempenho alto, às vezes prodigioso em uma habilidade específica na presença déficit intelectual. Esse fascinante fenômeno relaciona-se a um âmbito reduzido de capacidades – memorização de listas ou de informações triviais, cálculos de calendários, habilidades visuoespaciais, tais como desenho ou habilidades musicais envolvendo tonalidade musical perfeita ou tocar uma peça musical após tê-la ouvido somente uma vez (Klin, 2006).

 

Algumas destas crianças, por exemplo, têm grande facilidade com letras e números, às vezes precocemente (hiperlexia), mesmo que a compreensão do que lêem esteja prejudicada.

 

A hiperlexia caracteriza-se pela aquisição espontânea e precoce da habilidade de leitura, manifestada antes dos cinco anos de idade, na ausência de instrução formal. Há crianças que demonstram intensa fascinação por letras e números, dificuldades nas habilidades sociais e interativas com pessoas e dificuldades para compreender a linguagem falada.

 

A literatura, mostra que a verdadeira prevalência para a hiperlexia não está totalmente disponível, variando de acordo com critérios específicos, e que quanto menos rigorosos eles forem para o diagnóstico da hiperlexia em crianças com autismo, maior a discrepância da prevalência. 

 

Vale lembrar que a literatura relata que a hiperlexia pode estar presente em crianças com TEA, mas não é específica desta condição, pois existem indivíduos com hiperlexia que não apresentam diagnóstico de TEA. Portanto, não é critério diagnóstico para os TEA, mas é mais um fato a estar atento.

 

A hiperlexia não é apenas mais uma característica a ser observada para identificação do TEA, mas poderá ser um importante meio em estratégias terapêuticas e educacionais para a criança.

 

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Referências

 

Brito, Maria Claudia. Síndrome de Asperger e educação inclusiva : análise de atitudes sociais e interações sociais. 168 f. Tese (DOUTORADO em Educação) – Universidade Estadual Paulista, UNESP/SP, Brasil. 2011.

Castles A, Crichton A, Prior M. Developmental dissociations between lexical reading and comprehension: evidence from two cases of hiperlexia. Cortex. 2010;46(10):1238-47.       

Etchepareborda MC, Díaz-Lucero A; Pascuale MJ, Abad-Mas L, Ruiz-Andrés R. Asperger's syndrome, little teachers: specials skills. Rev Neurol. 2007;44 (Suppl2):S43-7.        

Hermelin B. Bright splinters of the mind: a personal story of research with autistic savants. London: Jessica Kingsley Publishers; 2001

Klin, Ami. Rev Bras Psiquiatr. 2006;28(Supl I):S3-11

Nation K, Clarke P, Wright B, Williams C. Patterns of reading ability in children with autism spectrum disorder. J Autism Dev Disord. 2006;36(7):911-9.

Turkeltaub PE, Flowers DL, Verbalis A, Miranda M, Gareau L, Eden GF. The neural basis of hyperlexic reading: an FMRI case study. Neuron. 2004;41(1):11-25.   

 

Maria Claudia Brito -

Fonoaudióloga, Pós-Doutora e Doutora (PhD) em Educação, Mestre em Psicologia (todos com ênfase em Autismo), UNESP/SP. Professora Universitária, Pesquisadora do CNPq/SET-A em Autismo, Robótica e Linguagem e do Grupo de Pesquisa CNPq Diferença, Desvio e Estigma, UNESP/SP. Diretora do Instituto Nacional Saber Autismo.

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