A Drª Maria Claudia Brito, escreveu uma série de 5 artigos sobre Autismo, Linguagem e Fonoaudiologia. Aí vai o terceiro! Quanto mais precocemente houver a identificação e a intervenção, maiores podem ser as possibilidades de a criança falar e/ou de se comunicar também de outras formas (por meio da escrita, de gestos, mímicas, recursos de comunicação alternativa, etc).

 

Autismo e Fala: Porque você NÃO deve Esperar?

A maior parte das crianças começa a falar as primeiras palavras por volta dos 12 meses de idade. Aos 2 anos, elas podem formar frases com duas palavras, pronunciar entre 30 e 50 delas e compreender cerca de 200. Entre os 4 e os 5 anos, espera-se que todos os fonemas (som das letras) já tenham sido adquiridos, incluindo os mais difíceis como “R”  da palavra “baRata” e “L” de “Laranja”.

 

Essas características do desenvolvimento típico podem, evidentemente, variar de criança para criança! Algumas demoram um pouco mais e outras um pouco menos. Diversos aspectos terão influência no desenvolvimento da linguagem, por exemplo: os estímulos do ambiente, idade de ingresso na escola, saúde física, deficiências auditivas, alterações neurológicas e também o fato de apresentar autismo/transtorno do espectro do autismo.

 

Frequentemente, sou questionada por muitos pais sobre o “ritmo de cada criança” e sobre quanto tempo se deve esperar para procurar ajuda de um fonoaudiólogo, diante de um atraso de fala. Além disso, outra queixa constante é de que o médico disse que a criança irá falar “no tempo dela” ou “que antes de a criança completar 4 ou 5 anos de idade, tudo se resolverá e ela começará a falar”.

 

Pois bem, até quando você pensa que deve esperar para procurar ajuda quando observa ou suspeita de que a criança apresente um atraso ou dificuldades de comunicação?



Se estivesse ao meu alcance responder a todos os pais e mães de crianças com suspeita ou diagnóstico de autismo/transtorno do espectro do autismo angustiados com esta dúvida, ou apenas com a suspeita de que haja indícios de atraso na fala da criança mesmo sem se suspeitar de autismo, minha resposta seria categórica! NÃO ESPERE NEM MAIS UM DIA." Por isso, escrevo este breve artigo sobre o assunto e faço um alerta.

 

NÃO ESPERE NEM MAIS UM DIA! Informe-se, peça ajuda!

 

Diversos estudos mostram que quanto mais cedo um bebê recebe os estímulos certos, muito mais promissor será seu desenvolvimento. Este fato está diretamente relacionado à neuroplasticidade ao longo da primeira infância.

 

Portanto cada dia é precioso! A cada dia que passa você poderia estar aumentando as chances de uma criança que não fala começar a falar e de uma criança que fala, mas está com atrasos melhorar sua fala! Isso influenciará também em várias outras habilidades e dificuldades da criança. Por exemplo, a escrita e o desempenho escolar fazem parte do desenvolvimento da linguagem e poderão apresentar maiores dificuldades para uma criança com atraso de fala, que não recebeu o apoio necessário. As interações sociais também ficam prejudicadas quando a criança não consegue se fazer entender  e comunicar de forma eficaz o que ela sente e deseja.

 

Em caso de suspeitas ou dúvidas sobre o desenvolvimento de linguagem de uma criança procure a ajuda de um fonoaudiólogo! Quanto mais precocemente houver a identificação e a intervenção, maiores podem ser as possibilidades de a criança falar e/ou de se comunicar também de outras formas (por meio da escrita, de gestos, mímicas, recursos de comunicação alternativa, etc).

 

Em casos em que já foi estabelecido diagnóstico de autismo/transtorno do espectro do autismo, a atuação junto ao desenvolvimento de linguagem da criança é imprescindível. Nesses casos procure sempre a ajuda de um fonoaudiólogo, que seja especializado em autismo/TEA. Mesmo para crianças com autismo que se comunicam verbalmente (por meio da fala) haverá diversos aspectos da comunicação social, por exemplo, que poderão ser desenvolvidos visando a inclusão da criança em diferentes ambientes e melhorar sua qualidade de vida.

 

Vamos ficar atentos para ajudar a melhorar a comunicação de nossas crianças! A comunicação é fundamental para o ser humano por toda a sua vida!

 

SEJAM SEMPRE BEM VINDOS AQUI! OS SENHORES SÃO MEUS CONVIDADOS E FIQUEM À VONTADE PARA DEIXAR SEUS COMENTÁRIOS SE ASSIM DESEJAREM! ABRAÇOS! Drª MARIA CLAUDIA BRITO

 

Referências

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5ª ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing, 2013.

Brito, Maria Claudia; Carrara, Kester. Alunos com distúrbios do espectro autístico em interação com professores na educação inclusiva: descrição de habilidades pragmáticas. Rev. soc. bras. fonoaudiol.  [Internet]. 2010;  15( 3 ): 421-429.

Wetherby, AM. Ontogeny of Communicative Functions in Autism. J of Speech and Hear Disor. 1986;3(16):295-316. 

Dobbinson S; Perkins M; Boucher J. The interactional significance of formulas in autistic language. Clin Linguist Phon. 2003;17(4-5):299-307.

 

Maria Claudia Brito - Fonoaudióloga. Atende em Consultório na cidade de Bauru/SP. Pós-Doutora e Doutora (PhD) em Educação, Mestre em Psicologia (todos com ênfase em Autismo), UNESP/SP. Professora Universitária, Pesquisadora do CNPq/SET-A em Autismo, Robótica e Linguagem e do Grupo de Pesquisa CNPq Diferença, Desvio e Estigma, UNESP/SP. Diretora Geral no Instituto Nacional Saber Autismo.

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